domingo, 8 de novembro de 2009

Sobre carência


Não sei se estou propícia a escrever algo, não se existe essa coisa de estar propicio a algo...

Mas existe a imensa vontade de declarar vontades, de distribuir desejos, de chorar uma solidão inexistente...

É... Talvez exista o estar propício...

Quero inspirar ar nos meus pulmões com cheiro de mato, fresco, verde e molhado...

Quero segurar numa outra mão que não as minhas esquerda e direita, sentir a superfície de outro corpo, sentir cheiro dos poros transpirando...

Esquece... É tudo carência...

É tudo psicológico...

Histeria!

Floyd explica!

É o desejo constante de uma companhia que na verdade não estará exatamente te acompanhando, é um querer tirar vantagem, uma satisfação...

Como saber se quer realmente alguém¿ saber que não apenas uma birra da carência¿

Afinal como assim querer alguém¿

É permitido¿

Estamos à venda¿

Pensando bem parece a coisa mais perto de ser Deus:

Primeiro desperta-se o desejo, a vontade de algo.

Daí defini-se o que se quer, o que se deseja.

Define-se estereótipos, acompanhado da previa definição de alguns atos.

Daí sai-se á caça!

Procura-se algo que se encaixe no estereotipo...

Apresenta-se a este a proposta dos atos pré-definidos e abre-s espaço para que a caça também se coloque em posição de caçador em momentos futuros.

Dá-se uma pequena amostra de intenções...

Daí começa o inferno de caricias, inferno de idéias que não se sabe serem recíprocas ou simplesmente colocadas certas no momento certo para a pessoa certa...

Mas daí vem quando você cai do céu, deixando o papel de Deus se perder...

E isso é quando você acorda, olha ao redor, e tem aquela pequena repulsa, que te faz dar um sorriso amarelo, pegar suas roupas, se vestir inexplicavelmente rápido, dizer que tinha hora marcada para alguma coisa...

Diz que foi super legal e que devem se falar mais tarde...

Dá um beijo nos lábios fingindo sinceridade e olha nos olhos, esperando que algo seja revelado a você mesmo, como se os olhos da pessoa fossem sair gritando “Parabéns!!! Você acaba de encontrar a felicidade constante, que nunca irá lhe fazer nenhum mal, te protegerá e você nunca mais sentirá essa repulsa posterior!”

É...

Mas daí é quando se percebe que a pessoa fez exatamente a mesma, nos mesmíssimos detalhes...

E daí você se magoa, ridiculamente e egoistamente!

Deus, pego por sua própria peça¿!

E daí somos idiotas, por ser controlados pela carência, por colocar todo um sentimento num momento momentâneo...

É...

Provavelmente tudo isso foi escrito sob um impulso de carência...

Um impulso de indecência...

Um pouco coincidência...

E uma pitada de verdade, desejo, vontade e hipocrisia...

quinta-feira, 30 de julho de 2009


Tá legal, existe uma historia, mas eu não a encontro em lugar algum em sua forma original... Logo, fiz minha versão!

Era uma vez uma cidade, como outra qualquer, onde as pessoas não ligavam umas para as outras, não ligavam para a beleza de suas ruas... era uma cidade cinza, suja, péssima...
Isso parecia não afetar seus moradores... nã havia nenhuma contribuição para a melhora da estranha cidade e comum cidade...
Lentamente foi-se percebendo a presença de ratos naquela cidade, primeiro eram poucos, alguns aqui e ali... Depois de um tempo era comum ter uma caminhada acompanhado por um dos bichinhos, daí algumas bocas começaram a reclamar...
Reclamaram ao prefeito da cidade.
-- Oras! Toda cidade tem seus ratos, o que eu posso fazer? É a lei da natureza, vocês suajm as ruas e o lixo atrai os ratos! Limpem e tudo se resolve!

Insatisfeitos e contrariados os moradores voltaram a suas residências.
Como assim não poderia fazer nada?
Mas deixe estar, as ruas ficariam tão sujas que o prefeito iria passar mal, teria que tomar alguma providencia, onde já se viu, deixar nas mãos dos prorpios indefesos civis!

E assim foi...

Ninguem limpou as ruas, ninguem recolheu o lixo, ninguem tomou providência alguma...

As ruas perciam lixões, as pessoas tinham de andar tapando o nariz...

Até que todos cederam, tanto o povo como o prefeito...

"Sim! Vamos limpar, por favor!"

Então juntou-se o mutirão da cidade, para tirar todo akele lixo.

As primeiras pessoas dirigiram-se aos primeiros montes de lixo. Mas antes de chegar sequer a um metro ratos, enormes se puseram na frente, ratos saíram de todos os lados, ratos não deixaram que as ruas fossem limpas, RATOS! Por toda parte!
Com medo tentavam despistar os monstros, mas em vão.
Tentaram veneno, mas um morria e dez o substituíam...
Tentaram armadilhas, mas elas não eram suficientes para as quantidades de ratos, quebravam!
Agora eram os moradores que mais pareciam ratos encurralados em suas prorpias casas, lutando para fechar cada frestinha, pra tentar se livrar, pelo menos dentro de casa ainda parecia seguro...
Ninguem mais saía de casa...
Ninguem tinah coragem de encarar os bichos...
Para conseguir algo era sempre uma guerra...
Graças a Deus eles se limitavam ao lixo, impossivel de ser tirado do local...

Um dia chegou um moço, não era propriamente bonito, não era feio de maneira alguma, mas... a palavra é peculiar!
Magro, bem magro... Cabelos nos ombros, negros, oleosos...
Olhos negros também, mas brilhantes...
A pele já tinha sido branca, agora era queimada, como se tivesse trabalhado um bom tempo sob o sol...
Usava uma calça apertada, tênis All Star, verde...
Uma blusa grande...
Levava nas mãos uma estranha flauta, pequena, sem graça, que girava por entre os dedos...

Entrou na cidade, curioso, andava pelas ruas olhando asrcastico para a imensidão de lixo e ratos, parecia procurar algo...
Andou a cidade inteira, parou no que parecia ser a praça do centro, foi até a fonte agora sem agua, ignorando os ratos que passeavam por entre seus pés.
-- Olá! Eu preciso de comida!
Nada...
-- OLÁ!?
"Escuta garoto, não ha comida nem para nós que vivemos aki direito, você não percebeu o estado da cidade?"
-- Ora! Nem mesmo uma maçã?
"Haha! se você conseguir tirar os ratos da frente da quitanda!"
O rapaz olhou em volta, e foi em direção ao que havia sobrado da quitanda, com suas portas abaixadas...

O prefeito que até então zombara dele observou.

Ele parou na frente do estabelecimento, afastou alguns ratos com os pés, agaixou-se e ficou encarando alguns dos animais...

Ainda agaixado colocou o estranho instrumentos nos labios, e fez soar uma unica nota, estranhamente alta, uma nota diferente.
Todos os bichos que a vista alcançava derrepente pararam, estaticos!
A nota parecia eterna.
Os animais que ficavam num inferno de lá para cá agora pareciam pedra.
O prefeito até prendera a respiração ao visualizar aquilo, o que raios estava acontecendo?

Uma segunda nota, e todos o ratos saíram da frente do estabelecimento.
O rapaz foi até a porta, forçou-a, abriu-a, entrou, pegou uma maçã e mordeu, olhou em volta e pegou mais duas maçãs, colocou no bolso da jaqueta, saiu da loja, e colocou a andar, parecia estar indo embora.
O prefeito boquiaberto, e agora deseperado, gritou pelo rapaz... este ignorou...
O prefeito saiu de seu lugar, foi á rua, gritando pelo moço, os ratos continuavam estaticos...
" O que você com eles?"
-- Apenas toquei uma musica e eles se acalmaram!
" Você acha que pode fazer isso para eles irem embora?"
-- Por que?
" Oras, parece que são eles os moradores da cidade! Por favor, Nós faremos qualquer coisa, nos ajude por favor!"
-- Qualquer coisa?
" Sim!"
-- Tudo bem! eu os ajudarei, e depois decido o que vou querer!
" Tudo bem!"
-- A cidade é muito grande, terei de tocar em cada rua de cada vez, e alguém precisa ir limpando!
" Sem problemas, nós o ajudaremos!"
E assim foi, durante duas semanas seguidas, o rapaz foi a caad rua da cidade, tocar sua musica encantada, enfeitiçando os ratos, colocando-os para fora da cidade, para as florestas dos arredores, e os moradores iam limpando atrás.
A musica parecia um comando, os ratos pareciam estar até em alguma sincronia.
Na terceira semana, a cidade voltara ao normal, como tinha sido ha muito tempo, as lojas estavam aberats de novo, as pessoas andavam pelas ruas, havia até cores desta vez, depois de tanto tempo reclusos, os moradores pareciam ter adquirido um sentimento de fraternidade, eles até sorriam!
O rapaz sorria de volta, com um ar de trabalho cumprido!
E num desses dias, ele andava, e se perguntava o que iria pedir agora.
Parou em uma loja de roupas.
-- Gostaria de uma roupa nova, depois desses dias de trabalho, minha roupa parece um trapo!
" Hum... Você pode ter as roupas, mas terá de pagar..."
-- Pagar?
" Ajuda - Ajuda, negocios a parte!"
-- Tudo bem, deixe para lá...
Indgnado, dirigiu-se a quitanda
-- Tenho uma fome enorme agora! poderia me ver algumas frutas?
" Posso ver o dinheiro?"
-- Dinheiro?
" Sim, sabe como é, agora com a volta, muito tempo sem vender, infelizmente tenho de cobrar, ah! Alias, vc nos deve uma maçã!"
-- Ah...! Sim claro!
Saiu...

Foi até o prefeito, lhe pediu uma casa para morar na cidade.
"Hoje em dia é dificil de DAR uma casa desse jeito... "
-- Tudo bem, enão me dê dinheiro para comprar uma!
"Dar dinheiro? Hahaha! em que mundo este rapaz vive!? O que posso fazer é lhe arrumar um emrpego!"
-- Um emprego... Sim, claro! Como não!?

Com um sorriso no rosto o rapaz foi de porta em porta, pedindo algum favor, coisas minimas, e sempre obteve a mesma resposta, que deveria dar algo em troca... depois de um tempo, a cidade tinha perdido suas cores novamente, as pessoas não mais se comprimentavam, e todos pareciam ter esquecido quem era o rapaz...

Então um dia o rapaz apareceu, com roupas novas, a pele limpa, maças nos bolsos e tinha até um chapéu agora, um chapéu verde escuro, com uma pequena pena preta do lado.

Foi até a praça central, subiu na estátua da fonte, os transeuntes do momente até pararam para escutar, ele faria um show!

Colocou sua flauta estranha nos lábios.

O som ecoou, cidade adentro, parcia extremamente alta a melodia, diversas notas, como ninguem jamais havia ouvido na cidade, lindo, inebriante!

O rapaz terminou a primeira muica, recebeu aplausos dos presentes, os encarou, sorriu de lado...

Uma unica nota, longa, seguida de uma outra, daí um barulho estranho, que não vinha do instrumento, uma batida, continua, como que uma movimentação...

O rapaz sorria...

O chão da cidade começou a se mover, cinza, não, não era terremoto, a terra estava parada, era realmente o chão que se movia, OS RATOS HAVIAM VOLTADO!
Não deu tempo de fechar as portas e janelas, eles entraram nas casas, nas lojas, em todos os lugares, uma enchorrada de ratos!
Eles invadiram, destruíram, pareciam mais numerosos, mais revoltados!
As pessoas choravam, arremeçavam os bichos que subiam por seus corpos, que mordiam, era um inferno!
O rapaz estava intacto em cima da fonte, rindo, silenciosamente, como que saboreande aquilo tudo.
Tirou uma das maçãs dos bolsos e começou a comer.

"Porque? Porque?"

Risos...

-- Eu salvei a cidade uma vez, e tudo o que pedi foram favores que não lhes fariam a menor falta...

Eu devolvi a vocês a opção de serem melhores, de serem uma nova cidade, livre da sujeira! Mas não puderam tirar a sujeira que vinha de dentro de vocês mesmos!

Pena pena!

Eu não precisava de nenhum dos favores que pedi, poderia ter tudo o que quisesse na hora que quisesse, mas nem mesmo a palavra do vosso prefeito foi cumprida...

Pena pena!

As pessoas apinharam-se no gabinete do prefeito, o único lugar onde nao haviam ratos, de frente com a praça onde estava o rapaz.

" Por favor nos desculpe, por favor!"

As pessoas choravam, estavam machucadas, mordidas, sujas...
O dia parecia não acabar, foi o dia mais longo da historia naquela cidade, até que todos, amontoados, adormeceram, a cidade triste, adormeceu...
No dia seguinte, todos os ratos haviam sumido, a cidade estava imunda, porem deserta. Os machucados ardiam, infexionavam. Havia um fedor no ar, de sujeira...
Na praça central, não havia mais uma fonte, mas sim uma estátua, diferente... de um rapaz, com um rato no ombro, um chapéu, uma maça em uma mão e uma flauta na outra...
Agora todos tinham cicatrizes para lembrar de suas atitudes, e uma lembrança em praça publica, do que a ganancia pode causar...

Tá legal,
Tinha um homem andando pela rua de terno e gravata.
Era uma rua simples, com casas simples, com pessoas simples...
Estava sol, muito sol, um sol daqueles que parece castigo.
E o homem andava, sozinho, indo em direção ao nada. O rumo que ele tomava não levava a outra cidade, não levava a algum predio, não terminava em alguma pessoa...
do lado direito da rua, tinha uma menininha, de cabelos longos e pretos, vestida com uma bermuda azul clara e uma camiseta bem larga pro seu tamanho, branca. Ela chorava, chorava tanto que soluçava, chorava tanto que sua face estava já desfigurada, inchada. Estava jogada na soleira da porta...
O homem continuava a andar, parecia não ver mais nada.
Mas começava a suar...
Podia-se ver as gotas de suor descendo por sua fronte branca, esquisita...
O óculos começava a escorregar, e ele começava a perder sua pose diante do calor.
Já não andava tão rápido, começava a respirar com mais dificuldade, e a cada passo suava mais...
A menina chorava, como nunca se viu, lágrimas saíam dos olhos e até das narinas...
O homem parou...
Caiu...
Sujou o chão com o suor, os olhos azuis arregalados...
A menina foi até ele, chorando menos agora, curiosa...
O virou... ele não se mexeu... Ela colocou a mão em seu bolso, pegou seu lenço, enxugou o proprio rosto, assoou seu pequeno nariz, colocou o lenço na mão do homem imóvel...
Agaxou novamente, incarou a face do caído... por cerca de cinco minutos...
Tirou seu chapéu, molhado de suor, colocou sobre seus cabelos negros, e com os pés descalços começou a andar rumo ao nada, em direção nenhuma...

A gente finge que deixa...
A gente finge que perdoa...
A gente finge que esquece...
A gente finge que não liga...
A gente finge que não espera...
Finge que não magoa...
Eu queria um dia fingir que não me importo de mandar tudo pros ares e fazer o que quero...
Queria fingir pra mim mesma que não tenho medo...
Fingir que conseguiria pegar na tua mão e te levar embora pra viver uma verdade feliz comigo... mas não consigo...
Porque tenho que fingir pra todo o resto o que eu ja disse...
Ninguem perdoa de verdade...
Ninguem esquece de verdade...
Ninguem é frio o bastante pra nao ligar...
O povo só finge...
Fingir é maldade...
É desleal...
Mas afinal... o que é ser leal?
Lealdade, rima com verdade, que rima com maldade... Seria algum sinal?
Ou apenas algum fingimento das palavras?
Eu não sei...
Me irrita não saber...
Não por curiosidade entende, mas saber que por momentos você é alvo de chacota por desconhecer... Não é curiosidade, é querer sentir-se seguro...
O que eu quero é te tocar...
Eu quero brigar com o resto por tanta sacanagem sem motivo, murros que tomei de graça.
Quero que você não participe dessa corja a qual pertenço...
Quero que você me lembre quem sou eu...
Me faça deixar de juntar-me a eles...
Porra... é patetico... todo projeto de poesia se torna um desabafo...
Não que eu seja uma pessoa triste, de modo algum... Só um pouco saturada...
Saturada porque eu finjo que perdôo, finjo que não ligo, finjo que não me magôo... finjo que esqueço...
E é sozinha, geralmente no meu quarto, que eu rio... detesto, lembro, amaldiçôo, sinto muita raiva, tenho rancor... talvez inveja... é sozinha que me sinto segura... é sozinha que lembro o que sou... e onde estou... e lembro que todo esse fingimento é ridiculo... então eu me sinto sã!
Creio não haver palavras pra definir certos sentimentos... e são esses sentimentos indescritiveis e indefiniveis que tenho hoje em dia ao olhar para algumas pessoas... as demais...bom, gosto de criar alguma expectativa sobre as demais, senão ficaria tudo muito monotono...
Não dá pra você acariciar com o mesmo carinho o que te espancou um dia... nem sorrir pra quem te ignorou...muito menos acolher alguem que você mesmo julgou... não dá... porque afinal de contas, apesar de tanta diferença... somos todos filhos da puta, e completamente iguais, afinal saímos aparentemente todos do mesmo lugar... Detesto assumir que sou exatamente como odeio, mas... é a vida! Ironicamente eu gosto de mim... Infelizmente, se não pode vencê-los, junte-se a eles...
Ainda me agarro no meu livre arbitrio...
Me Sinto uma boa pessoa, por fingir tão bem...
Ser bom não é você não querer algo ruim... é você se controlar...
Eu odeio, às vezes desejo o mal... eu invejo, como qualquer outro ser humano... mas me controlo, poucos se controlam...
Ser bom é ser controlado...
Ter pensamentos puros é ser chato...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Sobre a cadela de olhos tristes


Porque te reprimiram!

oras... não é triste assim tão constantemente... aliás, nem um pouco triste...
aliás... diria até alegre demais...
hum... medo, assustada por uma folha de jornal...
alguém sem paciência? Talvez...
Mas alegre, sempre...
Mas e agora?
eu não tenho mais noticias do animalzinho...
não ouço seu latido... não sinto seu fedor... não piso na tua urina...
não sei se ainda está alegre lá... ou se te mandaram embora...
Mas nos olhos daquele momento de tristeza da cadela, eu vi refletido todo um mundo, todo o mundo... todo o meu mundo... mas capturei... o exato momento de tristeza, no meio daquele mar de alegria...
A cadela de olhos tristes, agora imortalizada...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Plagio


O certo seria escrever algo...

O certo seria escrever algo?

O certo seria postar algo sempre que possível?

O certo seria impressionar com palavras belas e bem escritas?

Bem colocadas?

O certo seria enfeitar?

Inventar uma poesia?

Uma poesia para tudo que nos rodeia?

Uma palavra bela?

Uma frase que toca?

Uma melodia que encanta?

Seria o certo?

Seria o que é constante?

Eu gosto do que é certo...

Não do que é constante...

Não gosto dessa feiúra que as mentiras contadas para encantar possuem...

Não gosto de mentira...

O que é mentira, uma vez que minto por ser humana... Ou para ser humana?

Quem disse que ser humano é mentir?

É que o ser humano gosta de fingir que é verdade a mentira que conta...

Não é feio ser humano...

É feio pensar que cada um quer se sentir bom demais, feio demais, bonito demais, triste demais, mentiroso demais, ridículo demais... e esquecem a poesia de ser só humanos...

Não são minhas mãos que têm de escrever poesias... Não é o humano que faz poesia... A poesia é que faz o ser humano, a poesia é a mais bela mentira... A poesia é a mais bela concretude de idéias do queremos ser, e não conseguimos...

Tão belas, tão calmas, tão simples... TÃO CEGOS!

A cegueira, que te faz pensar no que é feio, mentir sobre o que é bonito... Não... Não é uma questão de palavras belas, doces frases e fascinantes melodias, não... O que encanta é a verdade... A tristeza contida na verdade, a melancolia dentro da verdade... O saber que se pode ser feliz com a verdade! Digam a verdade, e quando se sentirem realmente bem em ouvi-la, daí coloquem-se no direito de se sentirem humanos!

Por enquanto... São todos mentirosos... Corpos de mentira... Alma de mentira... Palavras belas e falsas, feias... Melodias que não vêm do coração! Inacreditável uma melodia não vir do coração!

A melodia devia ser a ponte para o coração! Hoje não há mais melodia?

Há! Em algum lugar... Não sei dizer onde... Talvez na verdade!

Melodias de verdade, são passes livres para uma alma repleta de pura poesia!

A poesia simples, crua, sem toda a complexidade desenvolvida constantemente...

A poesia da alma, da verdade...

A poesia que faz saber que o belo, lindo, surreal e incomparável está aqui:

Nas palavra escrita errado, na porquice de ser normal, na simplicidade do erro, no conceito de que errar é humano e entender que errar é perfeito! Cada errado tem suas frações triplicadas de CERTO!

São nas linhas tortas, nos borrões de tintas, nos quadros mal feitos, na menina feia, no carro velho, nos olhos sujos da criança de rua, é lá, que ta toda a alma, toda a verdade, toda a mágica, maravilhosa e perfeitamente errada, feia e bonita, poesia de estar, de ser o mundo!

Sinceridade permanente


Passaram-se anos, dias, horas... Quanto tempo se passou mesmo? Eu não sei mais...

Sei que foi tempo demais... Tempo que não deveria ter passado assim...

Mesmo cercada de coisas que supostamente deveriam me fazer esquecer, me fazer suprir a falta, me fazer não querer nem saber, a memória, que esquece o que não deve esquecer, não apagou você...

Incrível como não me lembro de coisas que devo fazer no dia, mas me lembro de coisas que fiz num dia muito especial... Muito distante... Na infância perdida... No beijo de alguém importante... No carinho necessário... No pesadelo que virou realidade e que assombra os sonhos atuais...

Não sei dizer o que, quando ou como, só sei que é do jeito que deve ser, embora nem sempre tenha sido como eu gostaria que fosse...

Já cheguei a pensar que era praga... Truque... Coisa ruim...

Percebi que a memória e as lembranças são presente dados aos homens, e que fazem deles seres que sabem sentir, de alguma forma...

Não compreendo a luta que existe em esquecer... Esquecer é como ter vivido dias em vão... Dias sem significado... Uma existência sem alguma essência...

Não entendo por que detestar o fato de ser você mesmo, quando ser você é coisa que me parece mais linda e maravilhosa... Não, não quero julgar, são apenas meus questionamentos...

De alguma forma sinto que falhei, que te perdi num espaço cruel, onde eu não estava presente quando todos te abandonaram, quando você desistiu do mundo...

Talvez a culpa não seja minha, ou talvez seja... Talvez seja sua, talvez não... Ou até mesmo do mundo como diz, mas provavelmente não...

Era como um vício... Um vício que eu tinha e que tive que parar, e chegar perto é uma recaída enorme, e agora eu tenho novamente acesso a esse tipo de droga, maravilhosa e encantadora... Mas não posso chegar perto demais, ou tê-la demais... Olhe, mas não toque... Toque, mas não desfrute... Irônico! Irônico demais!

Sinto que falhei... Sinto que a maior prova de confiança é chorar na frente de alguém... Chorar para alguém... As lagrimas são a representação física da emoção mais forte: se está alegre demais, chora; se está triste demais, chora; se está com raiva demais, chora; se está com dor demais, chora...

Não se chora pra qualquer um... Não é legal que qualquer um tenha aceso a suas emoções desse jeito... Não se por qualquer um...

Sei que já chorei por essa droga um dia... Até em dias que devia... Morro de medo de saber que posso chorar mais ainda...

Não escrito por mim...


Eu não sei direito o que escrever, acho que porque li o outro texto e vi que você gostou.

É complicado fazer uma coisa diferente, quando você sabe o que daria certo.

Mas acho que posso começar por aí, por uma coisa que eu não sei se você irá gostar, mas com uma boa intenção.

Dizem que para se começar um texto, você primeiro precisa traçar seu objetivos: comover, assustar, criticar, ensinar.

Acho isso uma baboseira, como se as palavras se resumissem a números, como fórmulas.

As palavras têm vida própria, tal como as almas: elas às vezes, não tem controle, não tem sentido, e elas sempre existiram, os textos sempre existiram, só precisou de alguém para representá-los nesse mundo, ele estava lá, sempre esteve, porque deveria estar lá.

Então o que eu poderia escrever?

Sem clichês, sem plágios.

Poderia escrever uma fábula talvez uma poesia.

Talvez uma piada.

È mais provável que tudo um pouco.

Para escrever para você, eu usaria fábulas, poesia, piadas, usaria gírias, palavrões, musicas, danças, pinturas e fotografias.

Mas eu só estou escrevendo por um motivo: embora eu seja o escritor, foi com você com quem eu me comovi, me assustei, critiquei, aprendi...

pensa, pensa pensa pesna,anspe, pnsae....

AI! Meu cerebro já não PENSA!

Meus membros jã não sentem!

Meus orgãos já noa fazem mais o que deviam fazer!

Ah não ser meu coração...

Este sim sente, este sim machuca, pensa... ainda bombeia meu sangue por toda a confusão de motivos que se tornou meu corpo...

AH! Impulsividade reprimida, com vontades introvertidas e engolidas com um gosto amargo e contra tudo desejado!

E agora, essas palavras! Desconexas! Sem sentido! Sem sentimento! Tentando botar pra fora tudo! Tudo que tem movimento e sem talento!

Ridículo... Digo demais por não ter o que dizer...
Reclamo demais por ter demais o que fazer...
É... Enfim me tornei mais um ser sujo... vazio... febril... que só presta atençao a dor fisica... Que não sente, nao pensa, nao funciona...
E que escreve, pra dizer que escreveu...
Comparece, pra dizer que compareceu...
Que sobrevivi, para fingir que viveu...