terça-feira, 21 de dezembro de 2010

53 anos...

Você pode nos ajudar?
É que ela chegou agora, e não fala nada de português... e eu não falo nada de inglês...
Diante de olhos emocionados... sem nem saber o porquê...
Foram 53 anos sem se ver, "ela foi embora bem pequenininha, tinha um cabelo curtinho, assim no pé da orelha..." e ele olhava pra ela com os olhos umidos, ela lhe devolvia o olhar da mesma forma...
Ela me disse que tinha 8 anos quando foi embora deste mesmo aeroporto para o Texas, há 53 anos.
Ela abre a mala e tira uma foto antiga e muitissimo bem conservada.
Há 4 pessoas ne quadro, dois adultos, uma adolescente, e uma menininha, de cabelos curtos, assim no pé da orelha, com um vestidinho da época listrado em cima e... bem na foto é tudo preto e branco...
A menininha agora é uma senhora de estatura baixa mediana, com longos cabelos grisalhos quase brancos, de olhos azuis e coração emocionado por rever o irmão depois de tanto tempo.
Eles se abraçam de tempo em tempo, como se a saudade fose incontrolavel.
Ela tira da bolsa o vestidinho, o mesmo que usava na foto, tirada ha 53 anos...
è fantastico ver uma foto preto e branca ser pintada sem tintas...
o vestido é a azul e creme, listrado em cima, com uma camiseta tambem de cor creme por baixo, e a parte da saia é azul escura. Há pequenas florzinhas vermelhas enfeitando a parte de cima e de baixo...
Eles se amavam... Não entendiam uma palavra do que diziam, mas se amavam... nã se viam a mais de meio século, mas se amavam... Eram irmãos, e isso bastava...

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

...


Eu tenho textos...
duzias, centenas, milhares deles...
pra um monte de gente... pra um monte de motivos... pra um monte de causas...
Mas mais pra um monte de sentimentos que essas coisas me causam...
o que eu quero dizer... é que meus pensamentos sao muitos, ou talvez muito complicados, ou muito simples, ou até muito tolos, pra serem expressados em palavras, e eu me deixo perder, nas palavras que veem na mente, mas nao saem nos dedos...
Mas eu prefiro isso, do que ser uma falsa poesia... Dessas de palavras bonitas, bem escritas, bem ditas, bem colocadas, que te fazem chorar... porque elas nao sentem, só falam, te enganam, te fazem acreditar... mas nao sentem... as falsas poesias... eu conheci muitas delas... umas fracas, outras fortes... algumas que me enganaram direitinho...
é...
eu prefiro nao saber escrever, do que escrever falsas poesias...
Prefiro sentir demais a conhecer de mais...
Prefiro sentir demais a falar de mais...
Prefiro sentir demais a ser uma poesia que não sente nada...

terça-feira, 6 de julho de 2010


Existem tempos em que compensa ter noções de atuação.
Não em questão de trabalhos, bicos, ou coisas do gênero, não...
Em questão de acompanhar a própria existência.
Há quem diga que seja fingimento, não compro essa. É perceptível quando alguém finge, é como uma má atuaçao. Atuar em sua existência é tão sútil como respirar em seus pulmões, beber em sua sede, necessário, artístico.
Provas? Coisas reais não têm trilha sonora, uma existência persistente e de boa performance tem, tudo é feito á base de inspirações, estamos inspirados a existir, atuar para existir, por isso recorremos a músicas entorpecentes, palavras inebriantes, condições perigosas, sexo incoerente...
Não acredito que seja um sistema de segurança desenvolvido por algum tipo maluco de evolução, creio apenas que seja a chave que nos foi apresentada, porém incompreendida, há muito tempo...
A atuação que te permite sorrir depois dos 20 anos, a atuação que te permite ser um adolescente inocente, a atuação que te permite passar boas condutas a futuras gerações, a atuação que te permite ser uma boa pessoa, rodeada de boas pessoas, desde que saibam atuar também, tão bem.
Realmente há magníficos benefícios em ter noções de atuação, desde o quanto antes.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Promoção especial!

Hoje eu vi um mendigo em promoção...
Pois é! Acreditem! Não podia ser nada mais a não ser um mendigo em promoção, numa dessas casas de eletrodomésticos em bairros comuns, onde você pode parcelar suas compras em milhões de vezes, e se sentir consumidor do próprio destino.
Um mendigo em promoção...
Afinal, ele estava deitado... provavelmente caído... provavelmente bêbado... provavelmente cheirando a urina... enfim, lá! Lá, com mais ou menos 6 pessoas olhando e lendo o cartaz de promoção acima dele, apoiado numa máquina de lavar!
Eu realmente desconhecia que este tipo de lojas oferecia produtos como mendigos...
E também me impressionou o número de pessoas interessadas nele!
Todas olhando, analisando em quantas centenas de vezes poderiam parcelá-lo, sem se incomodar com o odor, aliás, pensei até que o estavam observando com as mãos em determinado momento...
Havia uma senhora de saia e chinelos de dedo, um homem a seu lado, com calça jeans, e mais outros tantos potencias consumidores.
Realmente a utilidade de um mendigo deve ser grande... eu não havia pensado que se podia comprar um até então... E EM VÁRIAS VEZES!!
Realmente incrível! Provavelmente tão útil quanto incrível!! Talvez muito agradável, pelo tempo em que aqueles compradores ficaram a sua frente observando e boservando, eu até cheguei a pensar se não seria a máquina de lavar que observavam, mas ora! Não poderia ser, ele estava bem na frente e todos estavam tão proximos deles, digo, quem olha máquinas de lavar deve gostar de coisas limpas, e convenhamos que mendigos não são, bem... necessariamente limpos, e provavelmente o nível de sujeira contida num mendigo seria desagradável a pessoas que gostam de coisas, bem... limpas.
Então decididamente era o mendigo!!
Incível! Realmente impressionante! Nunca pensei que os colocariam em promoção tão rápido!

domingo, 16 de maio de 2010



Sabe... A gente tem que aprender a ignorar...pra conseguir continuar, sem que essas coisas continuem te mutilando... a gente tem que aprender a sorrir pro passado... e fingir que é grato pelas experiencias... e a gente aprende mesmo sabe...
Chegam a ser cômicos os pontos da desgraça...
E o miseravies que vagam pelo mundo revoltados... não passam de incoformados e tolos que continuam lutando sem saber... contra uma corrente de força descomunal... E gostam de titulos, Dois basicamente: Ilusão e iludidos... Gostam de se chamar de iludidos por uma vida de ilusoes... E nos final se enchem duma auto piedade, chamando isso de desilusao...
Mal sabem o quão ilusória é a desilusão...
Chegam a ser comicos os pontos da desgraça...

terça-feira, 30 de março de 2010

Eu... Bem... Eu, gosto de pessoas...
Uma boa frase, sim, uma ótima frase...
Gosto mesmo...
Elas por mais iguais qeu sejão, conseguem ser únicas...
Contraditório não!?
É, é sim...
Talvez seja por isso que eu goste tanto de pessoas...
Elas conseguem entrar na sua vida, por qualquer frestinha que seja, e daí fazem uma revolução...
É, acho que revolução é a palavra, afinal, a vida muda por causa das experiências certo? E não é possível que haja experiência alguma a não ser que haja um terceiro...
Te experimentam na verdade...
Te experimentam com promessas, com palavras, te experimentam com beijos e arrepios de desejo, te experimentam com carinhos, te experimentam com cobranças, razões, respostas forjadas, com coisas em comum, com sentimentos iguais... Te experimentam a todo momento...
E depois elas saem...
Como se você fosse uma sala de experimentos...
Saem pela porta, não dizem adeus, apenas alegam que mudaram e que todos mudam não é verdade!? Dizem isso quando passam pela janela, enquanto você tenta se recompor na sua sala, esperando mais alguém vir experimentar, e elas, passam lá fora, construindo uma coisa nova para si, como se o passado não tivesse mais importância do que qualquer lembrança, sabe, como aqueles cartõezinhos que você recebe uma dúzia de pessoas no seu aniversário ou no natal, aqueles, que ninguém guarda, a não ser você, pra olhar um dia mais pra frente e fingir um pouco que a pessoa ainda acha e pensa em você como as palavras que estão escritas no papel...
É só um documentação do experimento...
E o mais impressionante, que me fascina todas as vezes, é que as pessoas têm o dom de fazer acreditar, que o culpado pela "mudança", ou término de experimentos, chame como quiser, é unica e exclusimente você...
É... Elas saem, porque você quiz assim, porque você provocou, porque você não se importou...
E aí... Só te restam as revoluções, e uma infinidade de contradições pra se manter sã...
Afinal, pra não cair nao insanidade, você precisa de experiências não é mesmo? E não há como obter uma experiência sem um terceiro... Então você se conforma em ser seu terceiro, primeiro, segundo... não importa, contanto que haja alguém pra argumentar algo...
Talvez seja esse terceiro individual que seja capaz de te fazer acreditar que a culpa é sua, ao invéz da de quem foi pra fora...
Talvez...
Ás vezes você se sente até envergonhado por ser de um jeito que faça alguém ir embora...
Um jeito que você não sabe denominar como forte, sem graça, chato, difícil,cansativo, melhor...
Denominar...
As revoluçôes ficam, te obrigam a se adaptar, e as pessoas que causaram isso, simplesmente, se ausentam... Como se não tivessem nada a ver com isso...
Ás vezes me pergunto, se essas revoluções na verdade não têm tanta importância quanto eu lhes dou, afinal não parecem nem um pouco importantes pra mais ninguém... Então o que faz dessas coisas importantes se elas se dignam a uma ùnica pessoa?
...
É... Acho que o talvez é a palavra fundamental do vocabulário humano, talvez do animal também... Espera... Humano também é animal... Olha só, encontrei uma resposta!
Talvez é a palavra essencial da existência!
Mas só talvez...
Não é certeza...
Então é isso, essa coisa de ser pessoa, característica única dessa espécie de animal que se alto denomina gente, que se alto denomina importante, que se alto denomina única...
É isso que me fascina tanto, não me agrada, mas fascina...
Felizes são os abençoados com a ignorância, a dúvida é o preço da pureza...
Mentira...
Mentira é o preço da felicidade...

terça-feira, 23 de março de 2010

Sabe aquele sentimento?
É, aquele...
Isso! Esse! De que querer dormir, e acordar um dia, quando tudo tivesse mais ou menos no lugar, ou quem sabe nunca mais acordar...
Ah... não era esse?...
Nunca sentiu? Tá... então deixa pra lá...

segunda-feira, 22 de março de 2010

É estranho perceber que tem um estranho vivendo por você...
Que come por você,
Que dorme por você,
Que vai ao banheiro por você...
Que usa o seu braço...
Que te faz perder todos os prazeres...
É estranho perceber que ao final das contas, você perdeu seu lugar pra um total estranho, que finge ser você por aí...
E que você, finalmente e por vitória desse estranho, virou um documento, guardadinho no fundo do arquivo que virou a sua mente...
E o arquivo é gelado, escuro...
E tudo acontece como se você fosse obrigado a assistir um telão, onde o filme é a sua vida...
Sua vida sendo arruinada por esse mesmo estranho, qua parece não saber o quanto você lutou pra chegar até onde estava, até que ele tomasse o controle de... você...
E você é obrigado a assistir esse estranho estragando tudo...
Agindo errado com a sua familia...
Agindo errado com seus amigos...
Agindo errado enquanto vive sua vida...
Mas você...
Não pode fazer absolutamente nada...
Você virou só mais um documento...
Esquecido lá no fundo do arquivo, perto das teias de aranhas...
Você sempre estará lá, mas nunca mais vai poder assumir o papel de você mesmo...
Porque o estranho tomou o controle...
Porque ele estava esperando por isso há tanto tempo, tão quetinho, tão silencioso, no escuro, apenas esperando a deixa de trocar de lugar com você...
Não tem mais como aquela de antes voltar...
Tem buracos que não conseguem ser preenchidos, porque á cada ação deste estranho, ele se torna maior, e mais profundo...
Até que você adormeça... Lá no fundo do arquivo...
E tudo que você tenha batalhado, esteja arruinado, e o documento da sua essencia... finalmente seja esquecido, para que o estranho seja lembrado....

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Desejo


Desejo.
Sabe?
Lateja!
Chama sem você querer!
É difícil de controlar!
Desejo...
Queima, ás vezes machuca...
dá vontade de tocar, de pegar, de ter...
E por um segundo você sente que aquilo é eterno e vale qualquer sacrifício...
É aí que você se fode...
Que você pode dizer com todas as palavras que tomou no cú!
Porque é quando o desejo tá no ápice! E te cega, e te faz de idiota...
O desejo ri da tua cara na tua cara!
Faz piada de mau gosto, mija nas calças de tanta gargalhada!
Te faz ficar louco, tão louco que tem vezes que parece que de tão filho da puta que foi, merece que você gargalhe junto com ele, frenéticamente!
daí você ri, pra esmurrar qualquer coisa pela frente, ou pular de algum lugar bem alto...
Ah! O desejo!
É gotoso, é desejável, é o alimento do azar!
Amigo do foda-se!
Parceiro da desgraça!
Vizinho da luxúria!
Lugar de primeira classe pro caos!

A História de um grande amor...


Eu vou contar pra vocês,
a história de um grande amor...
Não uma tarde qualquer,
de um dia qualquer,
num lugar qualquer.
Ele andava pelas ruas com frio,
na verdade sem rumo,
andando pra qualquer canto,
pra qualquer direção...
Pegou um cigarro no bolso da calça que um dia já havia sido social, e que hoje era o tipo descolada e surrada demais pra ser usar em qualquer lugar social...
Colocou na boca muito vermelha e um tanto ferida pelo frio, segurou entre os lábios,
pegou o isqueiro no outro bolso, um "bic" preto,
acendeu,
tragou a fumaça pra dentro de si profunda e lentamente, como um beijo quente na amante querida.
Terminou de tragar,
fechou os olhos, sentiu a fumaça agindo em seus orgãos,
abriu os olhos,
olhou pro céu,
soltou a fumaça tentando contagiar e pintar todo o mundo que havia em sua volta com a fumaça branca.
Continuou a caminhada...
Ele pensava " já não será muito tarde?", " já não terá passado da hora de encontrar?"
"será que realmente existe essa tal coisa de amor pra cada um no mundo?".
Oras, ele nunca havia sido uma pessoa que realmente demonstrasse querer amar, talvez só fosse visível a ele mesmo a necessidade que tinha de companhia e carinho incondicional...
Passou a mão no corrimão, pensou em quantos milhões de mãos já haviam segurado naquele mesmo espaço de matéria...
Ela tinha segurado ali mais cedo...
Pensativa, quase dexistente...
Pensou em ir embora, pra sempre, não aguentava mais tudo aquilo,
não sozinha,
já tinha esperado tempo demais por ajuda,
A vida é difícil e pesada demais pra ser carregada sozinha!
Com certeza ele não existia!
Aquele cara, que não se importava com as roupas que usava, porque nele isso não importava...
Aquele cara que pensava nela sem saber que ela existia,
Aquele que falaram pra ela que existe pelo menos um no mundo pra cada ser humano...
Aquele que era capaz de sentir, simplesmente sentir...
Sentir a dor lentamente e se encantar, como ela já tinha dexistido de fazer,
aquele que sentia sua mão no corrimão depois de ela já ter ido...
Aquele que era a única coisa que restava pra ela...
Que ela pensava que não existia,
Que a ausência fez ela ir embora...
Aquele que ela nunca ia conhecer.
Aquele que podia fazer ela se sentir dentro dele , igual a fumaça do cigarro, e ela ia acalmá-lo e acariciá-lo de toda forma que pudesse, igual a fumaça do cigarro, aquela cuja ausência seria capaz de matá-lo,
igual a fumaça do cigarro...