quinta-feira, 25 de junho de 2009

Sobre a cadela de olhos tristes


Porque te reprimiram!

oras... não é triste assim tão constantemente... aliás, nem um pouco triste...
aliás... diria até alegre demais...
hum... medo, assustada por uma folha de jornal...
alguém sem paciência? Talvez...
Mas alegre, sempre...
Mas e agora?
eu não tenho mais noticias do animalzinho...
não ouço seu latido... não sinto seu fedor... não piso na tua urina...
não sei se ainda está alegre lá... ou se te mandaram embora...
Mas nos olhos daquele momento de tristeza da cadela, eu vi refletido todo um mundo, todo o mundo... todo o meu mundo... mas capturei... o exato momento de tristeza, no meio daquele mar de alegria...
A cadela de olhos tristes, agora imortalizada...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Plagio


O certo seria escrever algo...

O certo seria escrever algo?

O certo seria postar algo sempre que possível?

O certo seria impressionar com palavras belas e bem escritas?

Bem colocadas?

O certo seria enfeitar?

Inventar uma poesia?

Uma poesia para tudo que nos rodeia?

Uma palavra bela?

Uma frase que toca?

Uma melodia que encanta?

Seria o certo?

Seria o que é constante?

Eu gosto do que é certo...

Não do que é constante...

Não gosto dessa feiúra que as mentiras contadas para encantar possuem...

Não gosto de mentira...

O que é mentira, uma vez que minto por ser humana... Ou para ser humana?

Quem disse que ser humano é mentir?

É que o ser humano gosta de fingir que é verdade a mentira que conta...

Não é feio ser humano...

É feio pensar que cada um quer se sentir bom demais, feio demais, bonito demais, triste demais, mentiroso demais, ridículo demais... e esquecem a poesia de ser só humanos...

Não são minhas mãos que têm de escrever poesias... Não é o humano que faz poesia... A poesia é que faz o ser humano, a poesia é a mais bela mentira... A poesia é a mais bela concretude de idéias do queremos ser, e não conseguimos...

Tão belas, tão calmas, tão simples... TÃO CEGOS!

A cegueira, que te faz pensar no que é feio, mentir sobre o que é bonito... Não... Não é uma questão de palavras belas, doces frases e fascinantes melodias, não... O que encanta é a verdade... A tristeza contida na verdade, a melancolia dentro da verdade... O saber que se pode ser feliz com a verdade! Digam a verdade, e quando se sentirem realmente bem em ouvi-la, daí coloquem-se no direito de se sentirem humanos!

Por enquanto... São todos mentirosos... Corpos de mentira... Alma de mentira... Palavras belas e falsas, feias... Melodias que não vêm do coração! Inacreditável uma melodia não vir do coração!

A melodia devia ser a ponte para o coração! Hoje não há mais melodia?

Há! Em algum lugar... Não sei dizer onde... Talvez na verdade!

Melodias de verdade, são passes livres para uma alma repleta de pura poesia!

A poesia simples, crua, sem toda a complexidade desenvolvida constantemente...

A poesia da alma, da verdade...

A poesia que faz saber que o belo, lindo, surreal e incomparável está aqui:

Nas palavra escrita errado, na porquice de ser normal, na simplicidade do erro, no conceito de que errar é humano e entender que errar é perfeito! Cada errado tem suas frações triplicadas de CERTO!

São nas linhas tortas, nos borrões de tintas, nos quadros mal feitos, na menina feia, no carro velho, nos olhos sujos da criança de rua, é lá, que ta toda a alma, toda a verdade, toda a mágica, maravilhosa e perfeitamente errada, feia e bonita, poesia de estar, de ser o mundo!

Sinceridade permanente


Passaram-se anos, dias, horas... Quanto tempo se passou mesmo? Eu não sei mais...

Sei que foi tempo demais... Tempo que não deveria ter passado assim...

Mesmo cercada de coisas que supostamente deveriam me fazer esquecer, me fazer suprir a falta, me fazer não querer nem saber, a memória, que esquece o que não deve esquecer, não apagou você...

Incrível como não me lembro de coisas que devo fazer no dia, mas me lembro de coisas que fiz num dia muito especial... Muito distante... Na infância perdida... No beijo de alguém importante... No carinho necessário... No pesadelo que virou realidade e que assombra os sonhos atuais...

Não sei dizer o que, quando ou como, só sei que é do jeito que deve ser, embora nem sempre tenha sido como eu gostaria que fosse...

Já cheguei a pensar que era praga... Truque... Coisa ruim...

Percebi que a memória e as lembranças são presente dados aos homens, e que fazem deles seres que sabem sentir, de alguma forma...

Não compreendo a luta que existe em esquecer... Esquecer é como ter vivido dias em vão... Dias sem significado... Uma existência sem alguma essência...

Não entendo por que detestar o fato de ser você mesmo, quando ser você é coisa que me parece mais linda e maravilhosa... Não, não quero julgar, são apenas meus questionamentos...

De alguma forma sinto que falhei, que te perdi num espaço cruel, onde eu não estava presente quando todos te abandonaram, quando você desistiu do mundo...

Talvez a culpa não seja minha, ou talvez seja... Talvez seja sua, talvez não... Ou até mesmo do mundo como diz, mas provavelmente não...

Era como um vício... Um vício que eu tinha e que tive que parar, e chegar perto é uma recaída enorme, e agora eu tenho novamente acesso a esse tipo de droga, maravilhosa e encantadora... Mas não posso chegar perto demais, ou tê-la demais... Olhe, mas não toque... Toque, mas não desfrute... Irônico! Irônico demais!

Sinto que falhei... Sinto que a maior prova de confiança é chorar na frente de alguém... Chorar para alguém... As lagrimas são a representação física da emoção mais forte: se está alegre demais, chora; se está triste demais, chora; se está com raiva demais, chora; se está com dor demais, chora...

Não se chora pra qualquer um... Não é legal que qualquer um tenha aceso a suas emoções desse jeito... Não se por qualquer um...

Sei que já chorei por essa droga um dia... Até em dias que devia... Morro de medo de saber que posso chorar mais ainda...

Não escrito por mim...


Eu não sei direito o que escrever, acho que porque li o outro texto e vi que você gostou.

É complicado fazer uma coisa diferente, quando você sabe o que daria certo.

Mas acho que posso começar por aí, por uma coisa que eu não sei se você irá gostar, mas com uma boa intenção.

Dizem que para se começar um texto, você primeiro precisa traçar seu objetivos: comover, assustar, criticar, ensinar.

Acho isso uma baboseira, como se as palavras se resumissem a números, como fórmulas.

As palavras têm vida própria, tal como as almas: elas às vezes, não tem controle, não tem sentido, e elas sempre existiram, os textos sempre existiram, só precisou de alguém para representá-los nesse mundo, ele estava lá, sempre esteve, porque deveria estar lá.

Então o que eu poderia escrever?

Sem clichês, sem plágios.

Poderia escrever uma fábula talvez uma poesia.

Talvez uma piada.

È mais provável que tudo um pouco.

Para escrever para você, eu usaria fábulas, poesia, piadas, usaria gírias, palavrões, musicas, danças, pinturas e fotografias.

Mas eu só estou escrevendo por um motivo: embora eu seja o escritor, foi com você com quem eu me comovi, me assustei, critiquei, aprendi...

pensa, pensa pensa pesna,anspe, pnsae....

AI! Meu cerebro já não PENSA!

Meus membros jã não sentem!

Meus orgãos já noa fazem mais o que deviam fazer!

Ah não ser meu coração...

Este sim sente, este sim machuca, pensa... ainda bombeia meu sangue por toda a confusão de motivos que se tornou meu corpo...

AH! Impulsividade reprimida, com vontades introvertidas e engolidas com um gosto amargo e contra tudo desejado!

E agora, essas palavras! Desconexas! Sem sentido! Sem sentimento! Tentando botar pra fora tudo! Tudo que tem movimento e sem talento!

Ridículo... Digo demais por não ter o que dizer...
Reclamo demais por ter demais o que fazer...
É... Enfim me tornei mais um ser sujo... vazio... febril... que só presta atençao a dor fisica... Que não sente, nao pensa, nao funciona...
E que escreve, pra dizer que escreveu...
Comparece, pra dizer que compareceu...
Que sobrevivi, para fingir que viveu...